Engenharia Genetica

sábado, março 04, 2006

Os Genes


“Os genes estão por toda parte na ciência, na cultura, no imaginário, na arte, na ficção. Prometem e ameaçam: acenam com a cura, com a longevidade, com a perenidade do prazer da vida; brandem, ao mesmo tempo, a perfeição, como uma clava doce e terrível de mesmice e desprazer com a existência.
À fascinação, com a busca dos determinismos biológicos de nossos comportamentos sociais opõe-se o medo da manipulação genética do código da vida. Entre as duas pontas a distância deve ser medida pelo alcance da nossa curiosidade e pelo limite do nosso alcance.

Ao sentido da vida, ao destino do homem, a poesia, a religião, a metafísica têm algo a dizer, mesmo que nisso que diga, nada se encontre da materialidade com que é investido o gene no seu protagonismo científico contemporâneo. Como diz François Jacob, “nenhuma ciência pode trazer respostas a tais perguntas”. O que não quer dizer que a ciência não deva continuar a perguntar, de forma sistemática, o que pode responder e o que está ao alcance dos limites do conhecimento científico, que estão longe de serem atingidos, como prova a grande revolução causada pelos estudos genéticos de Mendel há quase um século e meio atrás e os cenários “ilimitados e periódicos”, como a biblioteca de Babel, de Borges, que continuam a se descortinar para o conhecimento científico da vida e seus semelhantes.”