Engenharia Genetica

sábado, março 04, 2006

Algumas Preocupações dos Consumidores Face aos OGM´s

Alergias:

As reacções alérgicas aos alimentos são difíceis de predizer, mas podem colocar vidas em risco. Uma vez sensibilizadas, as pessoas podem ter reacções mais fortes às exposições subsequentes ao mesmo alergênio. “De acordo com um relatório da Organização Mundial de Saúde sobre Biotecnologia e Segurança Alimentar, em 1996, mais de 160 alimentos são associados a reacções alérgicas esporádicas, e as crianças correm mais riscos do que os adultos”. A engenharia genética pode introduzir alergênios desconhecidos nos alimentos. Todas as transferências de genes em produtos agrícolas resultam na produção de alguma proteína, e são estas proteínas que provocam as reacções alérgicas. A biotecnologia pode introduzir novas proteínas nos produtos agrícolas, não apenas de fontes conhecidas de alergênios comuns como chocolate e mariscos, mas de plantas de todos os tipos, animais, bactérias e vírus cujas reacções alérgicas são, em grande parte, desconhecidas.

Riscos Ambientais:

Num estudo realizado por pesquisadores na Universidade de Cornel nos Estados Unidos, o pólen do milho que, devido ao uso da engenharia genética, contém a toxina Bt (uma toxina de uma bactéria da terra que mata insectos nocivos) pode matar as larvas da borboleta Monarca. Essa recente descoberta acrescenta informações a outros estudos que sugerem efeitos adversos em insectos úteis, resultantes do uso de plantas criadas pela engenharia genética. Isso fez com que aumentassem as preocupações com o meio ambiente, no que se refere à engenharia genética. Os genes produzidos com o auxílio da engenharia genética podem também, acidentalmente, ter acesso às plantas que não são os seus alvos. Por exemplo, genes exterminadores podem chegar às plantas e fazer com que elas produzam sementes estéreis, o que resulta em uma perda significativa de alimentos e de diversidade. Da mesma forma, genes de plantas desenvolvidas para serem resistentes a herbicidas podem se cruzar com outras plantas, criando "super-ervas".

Considerações Éticas:

Algumas pessoas acham que os alimentos desenvolvidos pela engenharia genética são inaceitáveis por motivos éticos ou religiosos. Existem agricultores, ministros, vegetarianos e outros, de ambos os lados da linha divisória de opiniões a respeito dos alimentos desenvolvidos pela engenharia para conter genes de animais ou espécies proscritos por certas religiões. As informações apropriadas nos rótulos permitem que esses consumidores façam suas escolhas de acordo com a sua consciência sem impor sua opinião sobre as outras pessoas.

Os OGM´s aliviarão a fome o mundo

Se os OGM´s estivessem a ser desenvolvidos para ajudar a alimentar os que não têm comida, então deveriam estar a aparecer sementes com certos tipos de características: capacidade para crescer em solos pobres, com maior conteúdo proteico por hectare, sem necessidade de fertilizantes, pesticidas, regas ou maquinaria cara, com características que favoreçam as pequenas lavouras em detrimento dos latifúndios, baratas e próprias para alimentar pessoas em vez de animais. Aquilo que se verifica, a avaliar pelas variedades já patenteadas, é precisamente o oposto. A mais recente geração de sementes transgénicas requer solos de alta qualidade, grandes investimentos em maquinaria e químicos.

Questões Sociais/de Justiça Económica:
Muitos consumidores suspeitam das pessoas que controlam uma tecnologia que promete revolucionar a agricultura. A biotecnologia permite que a produção agrícola se torne mais verticalmente integrada, consolidada e centralizada, em grande parte no amplo poder de empresas multinacionais.
Para além das directivas e regulamentos comunitários relevantes, cada membro da União Europeia apresenta normas nacionais que transformam o mercado único numa autêntica manta de retalhos. A lista que se segue dá uma ideia clara de como os vários governos ainda estão à procura do futuro:
Áustria e Luxemburgo: proibiram a importação e venda de alguns OGM´s que já tinham recebido autorização comunitária;
Reino Unido: o governo e a indústria estabeleceram um acordo voluntário que proíbe a venda de OGM´s durante três anos a partir de 1999;
França: em 1998 impôs uma moratória de dois anos a alguns OGM´s e proibiu o cultivo de milho Bt;
Grécia: todos os pedidos de testes de campo de OGM´s têm sido rejeitados;
Dinamarca: impôs uma moratória de facto ao cultivo de OGM´s;
Portugal e Espanha: são os únicos países onde já se cultivam OGM´s comercialmente.

Outras preocupações

A imposição por parte dos governos de testes rigorosos aos OGMs, tal como os empregues pela indústria farmacêutica, ainda não aconteceu. Além da falta de vontade política existem limitações técnicas sérias: os testes convencionais de toxicologia não funcionam com comida visto frequentemente não ser possível fazer os animais comer o suficiente do OGM para detectar diferenças.

O director da Direcção Geral do Ambiente declarou recentemente que: “a grande miragem de fácil capitalização de grandes recursos financeiros das grandes multinacionais do sector está a conduzir depressa de mais esta matéria. Reconheceu ainda na mesma entrevista que “o consumidor, quando compra um OGM, tem de ter [...] uma indicação formal, na embalagem do produto, que está a consumir um OGM. O problema é que nada disto está a ter o destaque que merece.” A falta de rotulagem aludida constitui um desrespeito directo pelas normas nacionais e comunitárias.

A criação de um OGM envolve tipicamente milhares de tentativas até à obtenção da combinação certa, porque o transgene frequentemente se insere num local inesperado e cria um organismo que não tem as características desejadas (o resultado da inserção - tanto no transgene como nos genes do hospedeiro - depende consideravelmente do local exacto da inserção). O director da Naturemark, uma empresa americana de batatas transgénicas, reconhece: “Há ainda muito que não entendemos acerca da expressão de genes.” Por exemplo, as novas sequências que controlam a expressão de genes podem alterar o posicionamento dos nucleossomas ou o estilo de metilação do cromossoma hospedeiro a longas distâncias do seu local de inserção. As consequências podem ser tão imprevisíveis quanto difíceis de detectar, até porque a expressão genética depende largamente do ambiente em que a planta estiver inserida.

Consequências Imprevistas:
A tecnologia, por mais benéfica que seja, não está isenta de riscos. E como qualquer nova tecnologia, pode trazer consequências inesperadas. Assim a engenharia genética pode ter um efeito indesejável, como agravando o problema crescente da resistência aos antibióticos. A maior parte das plantas originárias da engenharia genética contêm um gene de resistência aos antibióticos como uma característica facilmente identificável. Hipoteticamente, os genes da resistência aos antibióticos podem sair de um produto agrícola e chegar até as bactérias no meio ambiente, em como as bactérias trocam rapidamente os genes da resistência aos antibióticos - podem se chegar às bactérias que causam doenças.

Segundo o Scientific Steering Committee on Antimicrobial Use da Comissão Europeia “não existem neste momento provas de que genes marcadores de resistência a antibióticos tenham sido transmitido de plantas geneticamente modificadas para microrganismos. No entanto os cientistas recomendam que os genes marcadores sejam removidos das plantas antes da comercialização sempre que isso seja possível. O uso de genes marcadores que possam conferir resistência contra antibióticos importantes para a prática clínica deve ser evitado em futuros desenvolvimentos de OGMs vegetais.”

Alem disso o trabalho de engenharia genética numa planta, para que essa tenha uma determinada característica, pode ter efeitos inesperados em cascata, para o ecossistema onde ela vive. A compreensão, por parte do consumidor, destes fenómenos, é o ponto fulcral da maior parte das preocupações com a biotecnologia.

Rita

(Texto baseado em diversas pesquisas)