Engenharia Genetica

segunda-feira, janeiro 30, 2006

«Tudo o que altere as potencialidades genéticas com as quais o indivíduo nasceu é doping»

Docente catedrático de Biologia do Desporto da Faculdade de Desporto e Educação Física da Universidade do Porto e responsável pelo Laboratório de Bioquímica e Morfologia Experimental, José Alberto Duarte mostra-se céptico sobre a possibilidade a médio prazo de uma ligação forte entre a genética e o desporto. No entanto, não concorda que um atleta possa melhorar as características genéticas com as quais se desenvolveu.

PÚBLICO: É possível que as técnicas apontadas pela revista “Sciences et Avenir” venham a ser utilizadas pelos atletas?

JOSÉ ALBERTO DUARTE: Pelos atletas, de forma consciente, eu não creio. É possível que a genética seja utilizada por mentes perversas, especializadas em fisiologia ou medicina desportiva. Mas se o atleta tiver consciência dos riscos, é evidente que nunca aceitará esse tipo de dopagem.

O esqueleto e os tendões de um atleta geneticamente modificado conseguirão aguentar o aumento da massa muscular ou o surgimento de fibras ultra-rápidas?

Esses são males menores. O desporto de alta competição não tem nada a ver com saúde. Muitos atletas têm problemas crónicos artríticos, musculares e nos tendões em consequência da sobrecarga de treinos e do pouco tempo de recuperação. Se as sobrecargas forem mal geridas, os atletas desenvolvem patologias crónicas, como fracturas de fadiga, artroses ou tendinites crónicas. Caso se recorra à dopagem genética, estas doenças crónicas aumentam, mas o principal problema tem a ver com as alterações do ciclo das células. E o grande risco está a nível cancerígeno, com factores de crescimento ou a utilização de genes, transportados por vírus.

A genética já é aplicada para resolver problemas físicos, como lesões?

Não, apenas em termos experimentais, ainda sem aplicabilidade prática. Há alguns trabalhos, particularmente a nível do músculo-esquelético, onde se tenta acelerar o processo de recuperação após o exercício, a regeneração do próprio músculo, através de células multipotenciais. Já se testam em animais, mas em humanos não tenho conhecimento.

E a possibilidade de a genética ajudar a regenerar as cartilagens dos joelhos, através da sua duplicação em laboratório?

É possível duplicar estas células em laboratório, não se sabe muito bem é se, ao reintroduzi-las, elas vão aderir à cartilagem e se haverá uma regeneração cartilagínea. Se assim fosse, já há muito tempo que estaria resolvido o problema da artrose, que é um dos males que mais atinge os idosos e é extremamente incapacitante.

Estamos longe de um cenário em que a genética domina o desporto?

Acho que neste momento ainda não há capacidade para alguém, de forma consciente, segura, poder usar técnicas deste tipo com vista a atingir determinado fim. Há muitos factores ainda não controlados. Eu trabalho com DNA na faculdade e se alguém me dissesse ‘vamos iniciar um projecto para 2008 termos atletas dopados geneticamente’, eu não aceitaria nem teria capacidade para o fazer. Há grandes laboratórios a nível mundial que tenham outras capacidades, mas as certezas nos resultados ainda são muito poucas.

É possível que a este nível se repita o que aconteceu com alguns medicamentos, que apareceram primeiro nos circuitos desportivos e só depois nas farmácias...

Sim, mas a tecnologia é muito cara e não vai ser acessível a qualquer pessoa. Vejo com algumas dúvidas a experimentação a nível dos atletas.

Há especialistas que admitem que a manipulação genética no desporto venha a ser aceite socialmente, se não colocar em perigo a saúde dos atletas...

Não! De maneira nenhuma! Para seu orgulho e satisfação pessoal, um atleta pode tentar um desses tipos de tratamentos, mas continua a ser “doping”.

E se um atleta tiver sido alvo de uma alteração genética durante a infância ou quando ainda era apenas um feto? Trata-se de “doping”?

Cada caso é um caso. Se um indivíduo tiver uma artrose e houver possibilidades de voltar a competir, restabelecendo-lhe as articulações, não considerarei “doping”. Estaremos a dar-lhe a normalidade que ele antes já possuía, não lhe estaremos a melhorar as características com as quais ele nasceu. Tudo o que altere as potencialidades genéticas com as quais o indivíduo nasceu é “doping”.´

PÚBLICO em entrevista com José Alberto Duarte, 2003-07-12 por Duarte Ladeiras

domingo, janeiro 29, 2006

As técnicas de "doping" do futuro


(1) Proteína milagrosa: Como a entrega directa de genes nos músculos é ainda pouco eficaz, utiliza-se um vírus, sem capacidade virulenta, para levar até ao núcleo das células musculares uma versão sintética do Insulin-like Growth Factor 1 (IGF-1) e Mechano Growth Factor (MGM), proteínas que ajudam os músculos a se desenvolverem e a auto-repararem minúsculas lesões. No entanto, o vírus espalha o IGF-1 também por outras células, especialmente sanguíneas.

(2) Oxigenação: Um vírus entrega nas músculos VEGF (Vascular Endothelial Growth Factor) e o FGF (Fibroblast Growth Factor), que aumentam a criação de novos vasos e microvasos sanguíneos. Nos primeiros testes médicos de VEGF registaram-se várias mortes, porque é impossível para já controlar a multiplicação anárquica de vasos ou o risco de cancro, devido à excitação de células que normalmente não se dividem.

(3) Genes artificiais: A médio prazo, poderá ser possível retirar a um atleta determinadas células, injectar-lhes num laboratório um gene artificial, capaz de produzir continuamente eritropoietina ou hormona de crescimento, semelhantes às do próprio corpo, e depois reintroduzi-las nos músculos.

(4) Velociphin e fibras inactivas: As fibras mais rápidas do mundo animal não estão presentes na estrutura muscular humana, mas cientistas descobriram que é possível produzi-las através dos genes inactivos, acordados através de injecções de proteína Velociphin. Só uma biopsia ao músculo manipulado poderá desmascarar o batoteiro.


Fontes: Revista “Sciences et Avenir” e site Peak Performance PÚBLICO

A posição de Portugal …


“ Em Portugal o Ministério da Agricultura aprovou o cultivo de duas variedades de milho transgénico (Elgina e Compa Cb), resistentes à praga que afecta a planta, mas depois de reconhecer que não existia capacidade de monitorizar as eventuais consequências negativas, suspendeu as autorizações. Devido à falta de controlo e fiscalização não se conhece com precisão a situação dos transgénicos cultivados, nomeadamente a área que ocupam e onde se encontram. O Ministério da Agricultura estima, no entanto, que a área de milho transgénico em 1999 tenha atingido os 1300 hectares, com predominância para o Ribatejo, Alentejo e, em menor escala, no Norte do país.

Uma sondagem efectuada pela Comissão Europeia revelou que 64% dos portugueses já declararam o seu interesse em ver todos os alimentos geneticamente modificados devidamente rotulados.(…) “

Macacos viram “workaholics” com bloqueador genético



Macacos preguiçosos foram transformados em trabalhadores compulsivos por causa de um tratamento genético que bloqueou um importante composto cerebral (…). Ao impedir que as células recebessem dopamina, os cientistas fizeram com que os macacos se empenhassem mais em uma determinada tarefa e também que a cumprissem melhor.

(…) "O gene faz um receptor para um importante neurotransmissor, a dopamina", disse Richmond (…) A dopamina é o "código" que informa ao cérebro sobre recompensas, movimentos e várias outras funções importantes. "O desligamento do gene provocou uma notável transformação na ética de trabalho símia. Como muitos de nós, os macacos normalmente relaxam quando começam a trabalhar rumo a uma meta distante".

No estudo, Richmond e sua equipe usaram sete macacos rhesus. Eles tinham de puxar uma alavanca em resposta a elementos visuais que apareciam numa tela, e recebiam uma gota de água como recompensa. "Eles trabalham de forma mais eficiente – cometem menos erros – conforme ficam mais perto de serem recompensados. Mas sem o receptor de dopamina, eles permanecem consistentemente sobre a tarefa e cometem poucos erros, porque já não conseguiam aprender a usar os elementos visuais para prever quanto trabalho faltava para receber a recompensa." (…)

Tanto macacos quanto humanos são capazes de estimar, visualmente, quanto falta para uma tarefa ser concluída. Ambos também tendem a deixar tudo para última hora, justamente porque conseguem estimar o tempo de trabalho necessário. O geneticista molecular Edwards Ginns criou um agente que elimina a sensibilidade do DNA e induz as células cerebrais a desligarem os receptores do gene D2 – que são os "portões" moleculares usados pela dopamina para entrar nas células.

Embora alguns empregadores possam ter outro interesse no estudo, os pesquisadores disseram que sua intenção é estudar doenças mentais. "Neste caso, vale a pena notar que a capacidade de associar trabalho a recompensa é perturbada por desordens mentais como esquizofrenia, transtorno bipolar e transtorno obsessivo-compulsivo", disse Richmond. "Por exemplo, pessoas deprimidas frequentemente acham que trabalhar não vale a pena por nada. As pessoas com distúrbio obsessivo-compulsivo trabalham incessantemente e, mesmo quando recompensadas, sentem que precisam repetir a tarefa. Na mania, as pessoas trabalham febrilmente por recompensas que não valeriam a pena para a maioria de nós."

Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI360569-EI296,00.html

Cientistas descobrem gene que regula a fertilidade

Cientistas australianos anunciaram a descoberta de um gene regulador da fertilidade quando estudavam terapias contra o cancro. Michael McKay, do Centro do Hospital Peter MacCallum de Melbourne, explicou que a descoberta ocorreu durante um estudo sobre os efeitos da radioterapia. Por meio de engenharia genética, McKay criou um ratinho que não dispunha de dois genes necessários para reparar o DNA danificado por radiação e descobriu que o animal não podia reproduzir-se.
Durante o estudo, foram também criados ratinhos com apenas um desses genes, conhecidos como REC8, e comprovou que as fêmeas abortavam sempre que engravidavam (a gravidez não chegava ao seu termo natural). McKay explicou que usou ratinhos devido à semelhança da sua estrutura genética com a dos seres humanos.

Fonte: www.ciencia.pt

sábado, janeiro 28, 2006

Doença genética hereditária é detectada por transitores de nanotubos

Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, Estados Unidos, e da empresa Nanomix, desenvolveram componentes nanoscópicos, feitos de nanotubos de carbono, capazes de detectar mutações genéticas causadoras de doenças hereditárias. O método é, segundo eles, mais rápido e mais barato do que as técnicas convencionais.


Os dispositivos feitos de nanotubos de carbono são transistores do tipo NTNFET ("NanoTube Network Field-Effect Transistor"). Os pesquisadores utilizaram as propriedades eléctricas do componente para localizar uma mutação genética em particular, causadora da hemocromatose hereditária, uma doença que faz com que se acumule muito ferro no organismo.


"Nossa tecnologia poderá disponibilizar no mercado equipamentos de mão de uso clínico para diagnóstico genético, ao invés de métodos de laboratório que exigem identificações trabalhosas e sofisticados equipamentos ópticos," disse Alexander Star, um dos autores do artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Science.

Os experimentos mostraram que os transistores de nanotubos de carbono produzem medições com a mesmo precisão que os mais avançados equipamentos ópticos actualmente disponíveis.
Os cientistas agora vão testar seu novo método para o diagnóstico de outras mutações genéticas, causadoras de outras doenças.

terça-feira, janeiro 24, 2006

”Escândalo com milho transgênico distribuído “por engano” nos EUA expõe fragilidade de actuação dos órgãos reguladores"


”Escândalo com milho transgênico distribuído “por engano” nos EUA expõe fragilidade de actuação dos órgãos reguladores”Descuido ou irresponsabilidade? Incompetência ou Descaso? São as questões que devem ser respondidas: a primeira pela Syngenta, empresa que comercializou durante quatro anos uma variedade de milho transgênico sem autorização das autoridades competentes nos EUA; e a segunda pelos órgãos reguladores e de fiscalização da Biossegurança desse país.A revista científica Nature publicou, que o milho Bt10 foi comercializado “acidentalmente” durante quatro anos pela Syngenta. A variedade tem diferenças significativas com o milho Bt11, autorizado pelos órgãos competentes, principalmente na presença de genes de resistência a antibióticos. A possibilidade desse gene ser transferido para microorganismos e espalhar problemas de resistência a antibióticos existe. Os microorganismos que naturalmente estão presentes no intestino e no meio ambiente podem incorporar o gene de resistência a antibióticos do alimento transgênico e gerar uma doença de difícil controlo, tanto no ser humano quanto nos animais.“As autoridades de um país que é usado como referência em biotecnologia não conseguiram garantir segurança para o meio ambiente e para o consumidor, isto serve de alerta para os diversos governo que não conseguem sequer impedir o plantio e comercialização ilegal da soja transgênica durante anos”, afirmou Ventura Barbeiro, engenheiro agrónomo do Greenpeace.“Esse escândalo deverá aumentar ainda mais a falta de confiança dos consumidores nos responsáveis pela autorização e fiscalização dos organismos geneticamente modificados” disse Barbeiro. “Essa é a segunda vez que o milho norte-americano é envolvido em um escândalo de contaminação com transgênico não autorizado”, completou. No ano de 2000 o milho transgênico StarLink da empresa Aventis, liberado apenas para alimentação animal, contaminou a produção de milho dos Estados Unidos obrigando a retirada de vários produtos da prateleiras dos supermercados e dificultando as exportações.
Artigo da Nature
Centenas de toneladas de sementes do milho transgênico inseticida Bt10 foram cultivadas devido a um erro da empresa, que acreditava estar comercializando sementes do milho Bt11. O milho insecticida Bt11 recebeu autorização para plantio e comercialização em 1996, nos Estados Unidos, mas a variedade Bt10 não foi avaliada nem autorizada pelas autoridades norte-americanas. No dia 24 de Março, quando o escândalo foi publicado na Nature, a empresa declarou que as duas variedades de milho não apresentavam diferenças significativas na sua estrutura genética.O milho transgênico Bt11 apresenta resistência a insectos, devido à produção de proteínas tóxicas de bactéria. A planta recebeu genes do vírus do mosaico da couve flor e das bactérias Bacillus thuringiensis, Streptomyces viridochromogenes e Agrobacterium tumefaciens. O milho Bt10, além desses genes, também possui um gene que confere resistência ao antibiótico ampicilina. A Autoridade de Segurança Alimentar da União Europeia publicou em Abril de 2004 regras restringindo plantas com genes de resistência a antibióticos apenas para áreas experimentais, vetando o uso comercial desse tipo de organismo.“Se a própria Syngenta, que é a proprietária da tecnologia, comercializou ilegalmente durante quatro anos uma planta transgênica sem perceber o erro, grosseiro, imagine os graves acidentes que poderemos sofrer com plantio de sementes em áreas experimentais espalhadas pelo país e uma fiscalização deficiente” disse Barbeiro, “Por meio da polinização, genes experimentais podem escapar de áreas de pesquisa e contaminar a produção comercial”.

Fonte: Greenpeace, Xtrangenico, 31-03-2005

Cronologia dos Transgênicos


1719 - Primeiro registro de planta híbrida
1799 - Primeiro registro de cereal híbrido1866 - Mendel publica seu trabalho sobre cruzamento de ervilhas
1876 - Cruzamentos entre espécies e entre géneros
1900 - EUA cultiva milho híbrido1953 - James Watson e Francis Crick descobrem a estrutura de dupla hélice do DNA
1970 - Nasce a engenharia genética, com a recombinação de trechos de DNA de uma bactéria depois de ter sido incluído um gene de sapo
1980 - Primeira patente de um ser vivo: a Suprema Corte norte-americana decide que uma linhagem de bactérias capazes de digerir petróleo derramado em acidentes é patenteável
1983 – Desenvolvida primeira planta geneticamente modificada: uma linhagem de tabaco resistente a antibióticos
1987- Foi feita, também no tabaco, a primeira tentativa de se produzir uma planta contendo um gene que pudesse actuar como pesticida, extraído da bactéria Bacillus thuringiensis.
1989 - Nos EUA, 5 mil pessoas ficam doentes, 37 pessoas morrem e 1.500 ficam inválidas após consumir um suplemento alimentar feito a partir de uma bactéria modificada geneticamente, produzido pela empresa japonesa Showa Denko
1990 - O governo norte-americano aprova o primeiro produto alimentício modificado geneticamente, uma enzima para fazer queijo1994 - Primeiro alimento transgénico chega aos supermercados dos EUA: um tomate que demora a amadurecer
1997 - É desenvolvido milho híbrido mais rico em vitamina A, zinco e ferro
1998 - O Brasil aprova o plantio experimental de transgênicos em 48 áreas de SP, MG, PR e RS - A Monsanto do Brasil obtém autorização para plantio comercial da soja Roundup Ready. Liminar concedida pela Justiça, proíbe a liberação do produto para consumo antes de estudo de impacto ambiental
1999 - Canola transgênica produz 55% a 68% mais gorduras benéficas - USP e Unicamp desenvolvem milho com gene humano - o governo britânico estende até 2002 moratória sobre cultivo de transgênicos - Parlamentares propõem uma legislação que obriga a rotulagem de transgênicos nos EUA - Em conferência de biodiversidade da ONU, em Cartagena, Colômbia, 170 países não chegam a um consenso sobre um Protocolo de Biossegurança
2000 - A Monsanto faz canola enriquecida com betacaroteno, precursor da vitamina A - Pesquisadores desenvolvem arroz com betacaroteno - A Embrapa produz feijão resistente a vírus do mosaico dourado - A Alemanha proíbe o plantio e a venda de milho geneticamente modificado da Novartis AG - Delegados de mais de 130 países assinam em Montreal, no Canadá, o Protocolo de Biossegurança que prevê rótulos nos carregamentos de grãos, indicando que eles "podem conter" alimentos transgênicos.

Fontes: The Royal Society, Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, Gazeta Mercantil, Jornal do Brasil, Guardian, Nature, Science e "Alimentos Transgênicos", de Marcelo Leite.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Benefícios e/ou riscos !


Sem nenhuma pretensão de reduzir a importância no domínio dos demais ramos do conhecimento e da técnica, os avanços no campo das “ciências da vida” (Engenharia Genética) e da Biotecnologia sinalizam com promessas desejáveis de novidades para as áreas da saúde humana e animal, agricultura, alimentação e protecção do meio ambiente, que poderá movimentar um mercado gigantesco. Trata-se, sem dúvidas, de um momento histórico e revolucionário no campo das “ciências da vida” e da biotecnologia. O país que pretender colher os frutos desta oportunidade, como os empregos especializados e as melhores condições materiais de vida para a sua população, terá necessidade de possuir não só uma excelência científica mas, também, dispor da capacidade para usar o conhecimento na implementação da técnica (objectivando a produção). Na área da agricultura e da alimentação, a biotecnologia constitui um elemento que permitirá a produção de alimentos de melhor qualidade e com benefícios ambientais consideráveis, devido ao cultivo de culturas geneticamente melhoradas. Benefícios como o aumento de rendimento proteico de determinados vegetais, a redução do uso de pesticidas em culturas com resistência a insectos, a melhoria da resistência natural das plantas ao stress que pode levar à redução da utilização de pesticidas químicos e fertilizantes, o desenvolvimento de peixes com período de crescimento mais curto que torna a sua criação em cativeiro comercialmente viável, que proporcionam uma melhoria na qualidade da alimentação e uma prática agrícola mais próxima a um modelo sustentável: são realidades já viabilizadas pela biotecnologia.
Outra área que vem conseguindo resultados excelentes com o desenvolvimento da engenharia genética e da biotecnologia é a saúde humana, com a produção de hormonas humanas para o crescimento que não expõe a pessoa ao risco da doença de Creutzfeldt-Jakob, o tratamento para a hemofilia com fontes ilimitadas de factores de coagulação e isento de risco de contaminação com o vírus da SIDA e da hepatite C, a insulina humana e as vacinas contra a hepatite B, representam inovações consideráveis para um mundo onde metade das doenças existentes ainda não têm cura e alguns tratamentos estão se tornando menos eficazes devido à resistência aos medicamentos, como é o caso do tratamento com antibióticos. Também, a promessa de uma medicina personalizada e preventiva, baseada na predisposição genética, de uma farmacologia utilizadora das informações relativas ao genoma humano, e as pesquisas envolvendo o uso de células matrizes nos procedimentos de substituição de tecidos e órgãos para o tratamento de doenças degenerativas e de lesões resultantes de acidentes vasculares cerebrais, doenças de Alzheimer e de Parkinson, sinalizam acerca da importância da engenharia genética e da biotecnologia.
Contudo, é importante não desprezar os possíveis riscos que vêm associados á engenharia genética, quer no que respeita á segurança de alimentos oriundos de cultivos trangénicos quer ao nível do impacto social e humano que deles advêm.
Por exemplo, de salientar o facto dos trangénicos poderem prejudicar seriamente o tratamento de algumas doenças de homens e animais. Isto ocorre porque muitos cultivos possuem genes de resistência antibiótica. Se o gene resistente atingir uma bactéria nociva, pode conferir imunidade ao antibiótico, aumentando a lista, já alarmante, de problemas médicos envolvendo doenças ligadas a bactérias imunes. Os alimentos transgênicos podem também aumentar as alergias. Muitas pessoas são alérgicas a determinados alimentos em virtude das proteínas que elas produzem. Há evidências de que os cultivos transgênicos podem proporcionar um potencial aumento de alergias em relação a cultivos convencionais. “O laboratório de York, no Reino Unido, constatou que as alergias à soja aumentaram 50%, depois da comercialização da soja transgênica.” Apesar destes riscos os alimentos transgênicos já estão á venda. No entanto, como os cultivos transgênicos não são segregados dos tradicionais, e como a regulação de rotulagem é inadequada, os consumidores estão, de certo modo, impedidos de exercer o seu direito de escolha, uma vez que não há como identifica-los.

Deparamo-nos, assim, com algo enigmático. Estamos perante uma aparente controvérsia. De um lado desfrutamos os seus benefícios, por outro alarmamo-nos com os seus riscos. Mas a questão fulcral incide em Qual deles pesará mais? Isto constitui uma questao eminentemente ética...

segunda-feira, janeiro 16, 2006


Engenharia Genética

O princípio da Engenharia Genética consiste em transferir um gene de células de uma espécie para células de outra espécie, de maneira a dar às células receptoras uma propriedade nova ligada ao gene transferido. O objectivo desta transferência é a produção em grande quantidade de produtos raros (enzimas, hormonas, vacinas, etc.), a obtenção de variedades originais de animais e plantas que apresentem potencialidades novas ligadas ao gene transferido, correcção de defeitos hereditários, etc. A transferência de um gene, qualquer que seja o objectivo, implica sempre três grandes etapas:
a) Recombinação in vitro de DNA, em que ocorre a soldagem artificial de um gene a outro fragmento genético - vector - que serve para introduzir o gene na célula receptora. O vector mais usado é o plasmídio, material genético que se reproduz nas bactérias. A soldagem é feita com intervenção de enzimas específicas.
b) Clonagem da bactéria portadora do plasmídio recombinado. Por multiplicação da bactéria obtém-se um grande número de bactérias recombinadas.
c) Expressão do gene estranho, após a sua transferência, isto é, a obtenção da síntese proteica codificada no gene introduzido.

A Engenharia Genética desempenha um papel cada vez mais importante nos domínios da saúde, da agricultura e do sector agro-alimentar. Pode dar-se como exemplo a produção de hormonas (insulina, hormona do crescimento), de vacinas, de certos factores de coagulação do sangue, a formação de espécies resistentes,
“A vida não se presta a uma definição simples, constitui um fenómeno mais complexo e misterioso da natureza”

A biologia celular dedica-se ao estudo da unidade fundamental (estrutural e funcional) de todos os seres vivos, a célula, a qual pode ser definida como a menor porção de matéria viva, capaz de perpetuar as características próprias do ser vivo através da sua própria divisão, isto é, apresenta auto-suficiência genética.
Este ramo da biologia tem por função o estudo da célula nos mais diversos aspectos. A biologia celular apresenta-se ligada a diversas áreas de investigação, sendo de destacar, como sub- ramos da biologia celular, a biologia molecular e a engenharia genética.
A biologia molecular estuda a composição molecular fundamental para o conhecimento do funcionamento da célula. Esta área científica tem sido fulcral para o conhecimento, composição e funcionamento do material genético e do metabolismo celular.
A engenharia genética é um ramo da ciência aplicada, no qual, usando os conhecimentos obtidos relativamente à célula, particularmente em relação ao funcionamento e estrutura do material genético, se procuram obter produtos, efeitos ou organismos geneticamente modificados, com interesse para o homem.
A biologia celular está estritamente ligada também a diversas áreas da medicina, como a oncologia, produção de vacinas e hormonas, parasitologia, microbiologia e genética humana (nomeadamente, ao tratamento de anomalias genéticas).

A razao deste blog ...

Este blog está a ser elaborado no âmbito da disciplina de Biologia e destina-se à realização de um trabalho de pesquisa sobre engenharia genetica e biotecnologia. Este blog tratará diversos problemas/controversias eticas e perspectivas actuais da engenharia genetica e biotecnologia. Pretendo proporcionar um espaço de reflexao e de partilha de opinioes em torno desta tematica.
Espero que este blog seja algo de enriquecedor p
ara ampliar os nossos conhecimentos...